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Campo Grande,18/03/2026

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Disciplina, família e valores: a escola de Jiu-Jitsu I9 Innove forma campeões de caráter em Campo Grande

Esporte Que Transforma

Luiz Guilherme
Disciplina, família e valores: a escola de Jiu-Jitsu I9 Innove forma campeões de caráter em Campo Grande Escola de Jiu-Jitsu I9 Innove

Sob a liderança do mestre Nilson, projeto vai além do esporte e resgata princípios de respeito, hierarquia e responsabilidade, impactando jovens e famílias inteiras na Capital

Em tempos em que muitos questionam a perda de valores básicos dentro da sociedade, algumas iniciativas silenciosas mostram que ainda há quem trabalhe para reconstruir aquilo que sustenta qualquer comunidade sólida: disciplina, respeito e responsabilidade. Em Campo Grande, um desses exemplos nasce dentro de um tatame.

À frente da escola de Jiu-Jitsu I9 Innove, o mestre Nilson tem conduzido um trabalho que vai muito além da formação de atletas. O que se vê ali é algo cada vez mais raro: uma verdadeira escola de valores.

Para ele, o Jiu-Jitsu é antes de tudo um instrumento de formação humana.

“A filosofia é simples: se nós tivermos a responsabilidade de servir a Deus, cuidar dos nossos pais, zelar pelos nossos irmãos e proteger aqueles que estão próximos de nós, nós teremos um mundo muito melhor. O Jiu-Jitsu não foi feito para agredir ninguém. Ele ensina que devemos defender aquilo que é mais sagrado: a nossa família”, explica.

A lógica é clara: disciplina no tatame, caráter na vida.

Muito além da competição

Ao contrário do que muitos imaginam, a escola não existe apenas para formar campeões de torneios. Na visão do mestre Nilson, os atletas são consequência de um processo maior.

“O atleta de Jiu-Jitsu é aquele que se encontrou dentro do esporte e quer se colocar à prova. Mas o Jiu-Jitsu não é só para atletas. Nossa escola é aberta para toda a sociedade.”

Hoje o projeto atende pessoas de diferentes realidades sociais e também alunos que enfrentam desafios pessoais.

Entre os praticantes há pessoas que superaram quadros graves de depressão, jovens com TDAH, autismo e alunos com necessidades especiais. Segundo o mestre, muitos encontraram no esporte uma ferramenta poderosa de transformação.

“Por meio da disciplina, da hierarquia e da prática constante, o Jiu-Jitsu ajuda a reorganizar a mente, fortalecer o emocional e devolver a confiança.”

Hierarquia e respeito: valores esquecidos

Um dos pontos mais defendidos pelo mestre Nilson é algo que, segundo ele, tem sido cada vez mais negligenciado na formação dos jovens: o respeito à hierarquia.

“Hoje existe uma ideia equivocada de que ninguém pode chamar atenção de um jovem, que ninguém pode corrigir. Só que a realidade da vida é outra. Em qualquer lugar você terá um chefe, um líder, um supervisor. Quem não aprende a lidar com hierarquia acaba sofrendo um choque muito grande com o mundo real.”

Dentro da escola, esses princípios são trabalhados desde o primeiro dia.

“Se o jovem aprende a chegar em um lugar e dizer bom dia, boa tarde, boa noite, tratar as pessoas com respeito, ele já começa ganhando espaço na sociedade.”

E há também outro ensinamento fundamental: saber controlar a própria força.

“Se alguém fala, provoca, mas não toca em você, vá embora. Continue inteiro. Deus te abençoe e siga seu caminho. O verdadeiro praticante de Jiu-Jitsu aprende primeiro a evitar o conflito.”

Escola, não academia

Na I9 Innove, o conceito é diferente do modelo tradicional de academias.

Ali existe estrutura pedagógica.

Os alunos possuem carga mínima de aulas, avaliações e até risco de reprovação.

“Não somos uma academia, somos uma escola de Jiu-Jitsu. Existe direção, professores, coordenação e um sistema de ensino. O aluno aprende técnica, mas também aprende valores.”

Essa abordagem tem atraído alunos de todas as regiões de Campo Grande.

Hoje a escola recebe praticantes de bairros como Nova Lima, Moreninhas, Aero Rancho, Santa Carmélia, Noroeste, Jardim Popular e Indubrasil.

Diante da demanda crescente, o próximo passo já está definido.

“Nossa meta é abrir cinco novas unidades na cidade, levando esse modelo de escola de Jiu-Jitsu para diferentes bairros. Queremos alcançar mais pessoas e ajudar a melhorar a nossa sociedade.”

Formação técnica e formação de caráter

O professor Lekão, que também integra a equipe da escola, resume bem a filosofia adotada dentro do tatame.

“Nosso objetivo não é apenas formar competidores, mas pessoas fortes, disciplinadas e confiantes dentro e fora do tatame. O que realmente importa é a formação de caráter.”

Segundo ele, o processo de aprendizado no Jiu-Jitsu é também um processo educacional.

“O combate começa antes mesmo de começar. Trabalhamos sempre priorizando a saúde física e mental. A disciplina vem da constância: treinar mesmo cansado, persistir mesmo quando algo ainda não saiu perfeito.”

E é justamente nos momentos difíceis que surgem os maiores aprendizados.

“No Jiu-Jitsu o aluno passa por pressão, desconforto e até frustração. É nesse momento que ensinamos a respirar, pensar e agir com inteligência.”

Para quem está começando, o conselho é simples:

“Treine com humildade, respeite o processo e nunca desista. A vida é dura para quem não treina Jiu-Jitsu.”

Pais e filhos no mesmo tatame

Entre os alunos da escola está a jovem Julia Vasques Ferraz, de 16 anos, que encontrou no esporte motivação e segurança.

“O Jiu-Jitsu representa um novo começo todos os dias. O que mais me motiva é saber que estou aprendendo defesa pessoal para proteger a mim e minha família.”

Mas o que torna a experiência ainda mais especial é dividir o tatame com o próprio pai.

“É maravilhoso ter meu pai treinando comigo. Eu sei que qualquer coisa que eu precisar para evoluir, ele vai estar ali para me apoiar.”

O pai, Adaébio “Dedé”, de 45 anos, conta que sua entrada no esporte aconteceu justamente por causa da filha.

“Na verdade foi o contrário, eu comecei por causa dela. Sempre gostei do esporte, mas nunca tinha praticado. Quando o sensei Nilson anunciou que abriria a escola, fiquei muito animado.”

Segundo ele, o Jiu-Jitsu apenas confirmou aquilo que a família já via na filha.

“A Julia sempre foi dedicada. O esporte só reforçou isso. Eu e a mãe dela sempre apoiamos, mesmo quando ela fica nervosa nos campeonatos. Sabemos da guerreira que temos em casa.”

União dentro e fora do tatame

As irmãs gêmeas Ana Caroline e Karolaine, também de 16 anos, começaram juntas no esporte e dizem que a prática fortaleceu ainda mais a parceria entre elas.

“Nós começamos porque gostávamos da vibração das aulas, das músicas, dos exercícios. Era um ambiente diferente.”

Com o tempo, perceberam que o esporte também ajudava a enfrentar desafios da juventude.

“Hoje vemos o quanto o Jiu-Jitsu ajuda em problemas como ansiedade, depressão e outras dificuldades que muitos jovens passam.”

Nas competições, a união entre elas é ainda mais evidente.

“Sempre nos ajudamos na questão do peso, da disciplina e do treino. Queremos sempre dar orgulho para nossos pais.”

Um projeto que transforma vidas

Em um país onde muitas vezes o debate público se perde em discursos vazios, iniciativas como a da escola I9 Innove mostram que a verdadeira transformação social começa em lugares simples — como um tatame.

Ali, entre quedas, treinos e superação, jovens aprendem algo que nenhum discurso político consegue ensinar sozinho: caráter.

E talvez seja exatamente isso que o Brasil mais precise hoje.




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