Campo Grande afunda nos buracos enquanto Prefeitura patina; vereador propõe ajuda do Exército para enfrentar o caos
Com ruas deterioradas e prejuízos diários para motoristas, proposta reacende debate sobre eficiência da gestão pública e capacidade da Prefeitura de responder aos problemas básicos da cidade
Quem circula por Campo Grande já incorporou uma rotina que não deveria existir: dirigir desviando de buracos. Em praticamente todas as regiões da Capital, o cenário é de asfalto deteriorado, veículos danificados, risco constante de acidentes e uma população cada vez mais cansada de esperar por soluções.
Diante da situação, o vereador Ronilço Guerreiro defendeu uma medida emergencial que chama atenção: buscar uma parceria com o Exército Brasileiro para reforçar as operações de recuperação das vias urbanas.
Segundo o parlamentar, a estrutura atual da Prefeitura não consegue dar conta da demanda. Ele afirma que quatro das sete regiões urbanas ainda permanecem praticamente sem atendimento efetivo das equipes de tapa-buracos por falta de contratos vigentes, situação que, em sua avaliação, exige medidas excepcionais.
"Precisamos agir com criatividade e senso de urgência. O que não podemos é ver a prefeitura ficar de braços cruzados enquanto a população convive diariamente com buracos, prejuízos e insegurança no trânsito", declarou o vereador.
Ronilço lembra ainda que Campo Grande já contou, em outros momentos, com cooperação entre a Prefeitura e o Exército para obras de pavimentação, defendendo que essa alternativa seja novamente discutida.
Editorial
Independentemente de quem ocupa a Prefeitura, existe uma verdade difícil de contestar: garantir ruas em condições de tráfego está entre as funções mais básicas do poder público.
Quando uma administração não consegue sequer manter a malha viária, cresce naturalmente o questionamento sobre prioridades, planejamento e eficiência na aplicação dos recursos públicos. O cidadão paga impostos esperando serviços essenciais, não justificativas burocráticas.
Se realmente faltam contratos para executar serviços básicos de manutenção, isso revela um problema administrativo que precisa ser enfrentado com rapidez. A população pouco se importa com disputas contratuais quando é ela quem paga a conta em pneus estourados, suspensão danificada e acidentes provocados pela precariedade das vias.
Nesse contexto, a proposta de buscar apoio do Exército pode ser vista como uma alternativa pragmática diante de uma situação considerada emergencial. Em vez de permanecer presa à burocracia, a administração municipal deveria avaliar todas as possibilidades legais para devolver segurança às ruas.
Ao mesmo tempo, a discussão vai além da operação tapa-buracos. O problema evidencia a necessidade de planejamento permanente, manutenção preventiva e gestão eficiente dos recursos públicos, evitando que pequenas intervenções se transformem em grandes despesas para o contribuinte.
Programa permanente
Além da força-tarefa emergencial, Ronilço Guerreiro também defende a criação de um programa permanente de manutenção das vias, com cronograma regionalizado e ações preventivas de zeladoria.
Segundo o vereador, a ausência de manutenção contínua permitiu que o pavimento chegasse ao atual nível de deterioração, obrigando o município a realizar apenas intervenções paliativas.
"O cidadão quer resultado. Nosso papel é fiscalizar, cobrar e apresentar alternativas. Se a estrutura atual não consegue atender toda a cidade, precisamos buscar soluções que permitam acelerar esse trabalho", afirmou.
Enquanto propostas são discutidas e contratos aguardam solução, quem continua pagando a conta é o motorista campo-grandense, obrigado diariamente a disputar espaço com crateras que transformaram ruas e avenidas em verdadeiros obstáculos urbanos.



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