Caso do fazendeiro morto por disputa de terras chega ao Tribunal do Júri
Justiça marcou para novembro o julgamento de Tiago da Rosa Marcos, acusado de participar da trama que terminou com a morte de Paulo Sérgio de Freitas
Fazendeiro foi assassinado a tiros - Arquivo/Divulgação Cinco anos depois de um assassinato que começou em uma disputa familiar e terminou com um fazendeiro executado a tiros, o processo entra em uma nova fase.
A Justiça de Mato Grosso do Sul marcou para 3 de novembro de 2026, às 8h, o Tribunal do Júri de Tiago da Rosa Marcos, acusado pelo assassinato de Paulo Sérgio de Freitas. O fazendeiro foi morto em 23 de setembro de 2021, em Naviraí.
A designação foi publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira (14). A determinação prevê a intimação das testemunhas e do réu, atualização dos antecedentes criminais e preparação do plenário para a sessão. Também foi autorizada a possibilidade de depoimentos por videoconferência.
Conflito familiar
Conforme a acusação, o pano de fundo do crime era uma combinação de problemas familiares e disputa pela propriedade rural.
Tiago e a filha de Paulo Sérgio moravam em uma propriedade da vítima e, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, queriam que a terra passasse para o nome dela.
A acusação sustenta que o casal teria recorrido a pistoleiros para colocar o plano em prática. Paulo Sérgio foi atingido por cinco tiros no rosto.
Mesmo gravemente ferido, o fazendeiro teria dito à esposa que o crime somente poderia ter sido ordenado pelo genro.
A investigação também apontou que a morte da mãe teria sido planejada, mas não chegou a ser executada.
A trilha da investigação
A apuração policial passou a seguir o caminho deixado pelos envolvidos. Leandro Marcos Cambuí, primo de Tiago, foi preso sob a suspeita de ter intermediado a contratação dos pistoleiros.
Um motorista também foi preso por supostamente auxiliar na fuga. O GM Monza usado no crime havia passado por reparos em Guaíra, no Paraná, e a polícia identificou o primo do genro como responsável por solicitar o serviço.
Com apoio da Polícia Civil de Palotina, os investigadores identificaram um dos pistoleiros, localizaram o imóvel onde os envolvidos teriam se escondido após o homicídio e identificaram o veículo usado na fuga.
As comunicações telefônicas reforçaram a linha investigativa. Segundo a polícia, Tiago, Leandro e um dos pistoleiros mantiveram contato antes, durante e depois do assassinato. Um dos executores teria entrado em contato com Tiago novamente dois dias após a morte.
Operação Indignus Heres
A investigação avançou com a Operação Indignus Heres. Em 8 de outubro, a primeira fase cumpriu dois mandados de busca e apreensão em Palotina.
Na segunda fase, em 20 de outubro, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária contra Tiago e o motorista que teria ajudado os pistoleiros a fugir.
Leandro, que havia deixado a região, foi localizado em Joinville, Santa Catarina, pelo Núcleo Regional de Inteligência de Naviraí.
Com o apoio de investigadores de Palotina, a polícia também identificou o segundo pistoleiro, que foi preso e encaminhado para Naviraí.
Outro suspeito de participação na execução morreu em Palotina durante confronto com policiais militares, depois de roubar uma caminhonete Hilux.
R$ 20 mil por pistoleiro
Segundo a investigação, o primo do genro teria oferecido R$ 20 mil para cada pistoleiro. Em 21 de setembro, levou os dois até Naviraí.
O dinheiro, porém, não teria chegado aos executores. A polícia informou que, até então, eles teriam recebido somente as armas usadas na ação e um veículo Citroën C5, posteriormente apreendido em Palotina.
Os homens presos pela execução foram Thiago de Oliveira Leme, de 22 anos, e Ruan Victor da Silva Lopes, de 23.
Todos os acusados se tornaram réus em novembro de 2021. Agora, quase cinco anos depois da morte de Paulo Sérgio, o caso será submetido ao Tribunal do Júri.



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